526
juro
pela nossa senhora de brotas
que não preciso de brocas.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
terça-feira, 30 de abril de 2013
'Es gibt ein Bild von Klee, das Angelus Novus heißt. Ein Engel ist darauf dargestellt, der aussieht, als wäre er im Begriff, sich von etwas zu entfernen, worauf er starrt. Seine Augen sind aufgerissen, sein Mund steht offen und seine Flügel sind ausgespannt. Der Engel der Geschichte muß so aussehen. Er hat das Antlitz der Vergangenheit zugewendet. Wo eine Kette von Begebenheiten vor uns erscheint, da sieht er eine einzige Katastrophe, die unablässig Trümmer auf Trümmer häuft und sie ihm vor die Füße schleudert. Er möchte wohl verweilen, die Toten wecken und das Zerschlagene zusammenfügen. Aber ein Sturm weht vom Paradiese her, der sich in seinen Flügeln verfangen hat und so stark ist, daß der Engel sie nicht mehr schließen kann. Dieser Sturm treibt ihn unaufhaltsam in die Zukunft, der er den Rücken kehrt, während der Trümmerhaufen vor ihm zum Himmel wächst. Das, was wir den Fortschritt nennen, ist dieser Sturm.'
Walter Benjamin in Über den Begriff der Geschichte (1940), These IX
Walter Benjamin in Über den Begriff der Geschichte (1940), These IX
segunda-feira, 29 de abril de 2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
terça-feira, 16 de abril de 2013
'One of the biggest fallacies, i think, in art circles and in music circles maybe, when people talk about it, is that music comes from music. Is like saying babies come from babies. That it's not true, isn't what happens. Music is a result of a process for musicians going through, specially if he's creating it on the spot.'
- Keith Jarrett, The art of improvisation
- Keith Jarrett, The art of improvisation
quarta-feira, 10 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
510
pões todo o sentimento no verso
para nunca chegares ao fim da linha.
até podes deixar cair a métrica, mas
pelo menos não menosprezes a música.
pões todo o sentimento no verso
para nunca chegares ao fim da linha.
até podes deixar cair a métrica, mas
pelo menos não menosprezes a música.
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Brumo Gomas
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espilro,
jovem poeta,
mal-entendidos
segunda-feira, 1 de abril de 2013
quinta-feira, 28 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
504
Internet, sorvedouro da aura e da beleza.
'Acontece que a primeira [a Internet] é um bazar que achata, que nivela tudo o que contém.
Um plano de Há lodo no cais, de Elia Kazan vale tanto como o clip mais ignaro e os diálogos de Chronique d'un Ête, de Jean Rouch e Edgar Morin convivem com as piadas do novo humorista revelado on-line.
Concretização dos piores pesadelos de Theodor Adorno, a internet esconde uma máquina larvar, um burburinho incessante que só aqueles com a devida competência técnica conseguem calar...'
- José Marmeleira @ Ipsilon - 22Março2013
Internet, sorvedouro da aura e da beleza.
'Acontece que a primeira [a Internet] é um bazar que achata, que nivela tudo o que contém.
Um plano de Há lodo no cais, de Elia Kazan vale tanto como o clip mais ignaro e os diálogos de Chronique d'un Ête, de Jean Rouch e Edgar Morin convivem com as piadas do novo humorista revelado on-line.
Concretização dos piores pesadelos de Theodor Adorno, a internet esconde uma máquina larvar, um burburinho incessante que só aqueles com a devida competência técnica conseguem calar...'
- José Marmeleira @ Ipsilon - 22Março2013
sábado, 23 de março de 2013
502
a
internet
está
cheia
de
merda.
a
internet
está
cheia
de
merda.
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auto-referências,
vê lá se te cai o dentinho
quinta-feira, 21 de março de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
498
o que é que o b fachada tem?
Se eu casar com ela
nada tens com isso
Mudo para a favela
assino o compromisso
Fica a cabidela
com as cordas do chouriço
Vida toda bela
fazemos pouco lixo
Corta na novela
para não criar mais bicho
Se o amor te apela
dá-lhe de exercício
Parte uma costela
para o osso ficar maciço
Mais uma ramela
é lá tensão para rebuliço.
o que é que o b fachada tem?
Se eu casar com ela
nada tens com isso
Mudo para a favela
assino o compromisso
Fica a cabidela
com as cordas do chouriço
Vida toda bela
fazemos pouco lixo
Corta na novela
para não criar mais bicho
Se o amor te apela
dá-lhe de exercício
Parte uma costela
para o osso ficar maciço
Mais uma ramela
é lá tensão para rebuliço.
quinta-feira, 7 de março de 2013
«Um dos meus lados é o da vontade de ter uma arma automática e limpar o sarampo a gente que visivelmente anda a pedi-las; o outro lado é o da adesão àquela frase do Gandhi que diz que 'não há nenhuma causa pela qual esteja disposto a matar, embora haja causas pelas quais estou disposto a morrer'. Se as pessoas conseguem abafar a sua fúria é certamente por causa do medo. O terror é-lhes imposto e deixa-as incapazes de reagir. Mas isto indigna-me porque houve quem tivesse reagido em condições muito piores. Sinto uma fúria enorme contra esta gente que nos governa e nos governou, considero-os piores do que os salazaristas. As pessoas vivem no engano o tempo todo: porque têm direito a voto e os jornais podem criticar o poder político, julgam que isso lhes dá algum poder soberano. O único poder que têm é o de irem colocar um voto na urna de quatro em quatro anos para fazerem uma escolha num horizonte completamente limitado. A maneira suave com que age esta forma de ditadura é repugnante. É preferível a clareza da repressão a esta maneira de nos tirarem a alma, a honra, de fazerem de nós uns farrapos.»
- Paulo Varela Gomes, Público, 1 Março 2013
- Paulo Varela Gomes, Público, 1 Março 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
491
um
chinês
vinha
a pedalar
desde
a China.
pedalou,
pedalou,
pedalou,
pedalou.
eh pá,
até pelo
Tibete
andou!
às tantas,
acabou por chegar a Portugal.
encostou a bina
ali para os lados de Sines
para tirar uma fotografia.
quando se voltou
a bina já lá não estava.
gamaram a bina ao chinês.
um
chinês
vinha
a pedalar
desde
a China.
pedalou,
pedalou,
pedalou,
pedalou.
eh pá,
até pelo
Tibete
andou!
às tantas,
acabou por chegar a Portugal.
encostou a bina
ali para os lados de Sines
para tirar uma fotografia.
quando se voltou
a bina já lá não estava.
gamaram a bina ao chinês.
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poema em ou,
poeminhas para o mário viegas dizer
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
489
Vasco Graça Moura traduz Rainer Maria Rilke.
em bicos de pés?
é que pela capa mais parece que foi Rilke a traduzir Moura.
Vasco Graça Moura traduz Rainer Maria Rilke.
em bicos de pés?
é que pela capa mais parece que foi Rilke a traduzir Moura.
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rilke,
vasco graça moura
488
apresentas o power point
à plateia dos teus colegas.
imaginas que estás no ted talks.
tens de ter piada.
esforças-te no stand-up,
como viste na net e na tv.
podias ter sido humorista,
se quisesses, claro.
mas não:
és
apenas
mais
um
analista
informático.
apresentas o power point
à plateia dos teus colegas.
imaginas que estás no ted talks.
tens de ter piada.
esforças-te no stand-up,
como viste na net e na tv.
podias ter sido humorista,
se quisesses, claro.
mas não:
és
apenas
mais
um
analista
informático.
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the office
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
482
hai
ku.
hai
ku.
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só para não estar calado,
trocadilhos duvidosos
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
479
os fiscais entram.
e o autocarro,
que até aí seguia aos trambolhões de rua em rua,
abranda o mais possível até à próxima paragem:
'assim dá tempo para os apanhar!'
um passageiro mostra orgulhosamente
o seu título de transporte
va-li-da-do.
os infractores são apanhados
para gáudio dos cumpridores.
faz-se justiça na calçada.
Hitler vive nos nossos corações.
os fiscais entram.
e o autocarro,
que até aí seguia aos trambolhões de rua em rua,
abranda o mais possível até à próxima paragem:
'assim dá tempo para os apanhar!'
um passageiro mostra orgulhosamente
o seu título de transporte
va-li-da-do.
os infractores são apanhados
para gáudio dos cumpridores.
faz-se justiça na calçada.
Hitler vive nos nossos corações.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
476
o Rilke é que sabe.
«É ridículo. Aqui estou sentado no meu pequeno quarto, eu, Brigge, com vinte e oito anos já feitos e que todos ignoram. Aqui estou sentado e não sou nada. E, no entanto, este nada começa a pensar e pensa, num quinto andar, durante uma tarde parisiense cinzenta, estes pensamentos:
É possível, pensa, que não se tenha visto, conhecido e dito nada de real ou importante? É possível que se tenha tido milénios para olhar, reflectir e anotar e que se tenha deixado passar os milénios como um intervalo na escola, durante o qual se come fatias de pão com manteiga e uma maçã?
Sim, é possível.
É possível que, apesar de todas as invenções e dos progressos, apesar da cultura, da religião e da filosofia, se tenha ficado na superfície da vida? É possível que até se tenha coberto esta superfície – que, apesar de tudo, seria qualquer coisa – com um pano incrivelmente aborrecido, de tal modo que se assemelhe aos móveis de sala durante as férias de Verão?
Sim, é possível.
É possível que toda a História Universal tenha sido mal entendida? É possível que o passado seja falso, precisamente porque sempre se falou das suas multidões, como se se dissertasse sobre uma aglomeração de pessoas, em vez de se falar de uma única, em torno da qual os homens se reuniam, porque se tratava de um desconhecido que morreu?
Sim, é possível.
É possível que se tenha julgado ser preciso recuperar o que aconteceu antes de se ter nascido? É possível que se tivesse de lembrar a cada um que ele, de facto, é proveniente de todos os antecessores, tendo ele disso conhecimento e não devendo dar ouvidos a outros que soubessem outras coisas?
Sim, é possível.
É possível que todas estas pessoas conheçam em pormenor um passado que nunca houve? É possível que todas as realidades nada sejam para elas; que a sua vida decorra desligada de tudo, como um relógio numa sala vazia?
Sim, é possível.
É possível que nada se saiba das raparigas que, no entanto, vivem? É possível que se diga “as mulheres”, “as crianças”, “os rapazes” e não se faça a mínima ideia (apesar de toda a nossa cultura), de que há muito que estas palavras não têm plural, apenas inúmeros singulares?
Sim, é possível.
É possível que haja gente que diga “Deus” e julgue que se trata de algo comum a todos? E veja-se apenas dois rapazinhos de escola: um compra um canivete, e o seu vizinho compra outro tal qual no mesmo dia. E uma semana depois mostram um ao outro os dois canivetes, e acontece que eles só muito de longe se parecem – tão diferentemente evoluíram em mãos diferentes. (Ora, diz a mãe de um deles a esse respeito: vocês têm sempre por força de desgastar logo tudo!). Ah pois: é possível acreditar que se possa ter um Deus sem recorrer a Ele?
Sim, é possível.
Porém, se tudo isto é possível, se tem mesmo só uma aparência de possibilidade – então, por tudo o que há no mundo, é preciso que aconteça alguma coisa. O primeiro indivíduo, o que teve estes pensamentos inquietantes, deve começar a fazer alguma coisa do que se perdeu; mesmo que seja um qualquer, certamente o menos indicado: mais nenhum há que o possa fazer. Este jovem estrangeiro sem importância, Brigge, terá de se sentar no quinto piso e escrever dia e noite: sim, ele terá de escrever, esse será o fim.»
- Rainer Maria Rilke, ‘As anotações de Malte Laurids Brigge’ (tradução Relógio D’Água)
o Rilke é que sabe.
«É ridículo. Aqui estou sentado no meu pequeno quarto, eu, Brigge, com vinte e oito anos já feitos e que todos ignoram. Aqui estou sentado e não sou nada. E, no entanto, este nada começa a pensar e pensa, num quinto andar, durante uma tarde parisiense cinzenta, estes pensamentos:
É possível, pensa, que não se tenha visto, conhecido e dito nada de real ou importante? É possível que se tenha tido milénios para olhar, reflectir e anotar e que se tenha deixado passar os milénios como um intervalo na escola, durante o qual se come fatias de pão com manteiga e uma maçã?
Sim, é possível.
É possível que, apesar de todas as invenções e dos progressos, apesar da cultura, da religião e da filosofia, se tenha ficado na superfície da vida? É possível que até se tenha coberto esta superfície – que, apesar de tudo, seria qualquer coisa – com um pano incrivelmente aborrecido, de tal modo que se assemelhe aos móveis de sala durante as férias de Verão?
Sim, é possível.
É possível que toda a História Universal tenha sido mal entendida? É possível que o passado seja falso, precisamente porque sempre se falou das suas multidões, como se se dissertasse sobre uma aglomeração de pessoas, em vez de se falar de uma única, em torno da qual os homens se reuniam, porque se tratava de um desconhecido que morreu?
Sim, é possível.
É possível que se tenha julgado ser preciso recuperar o que aconteceu antes de se ter nascido? É possível que se tivesse de lembrar a cada um que ele, de facto, é proveniente de todos os antecessores, tendo ele disso conhecimento e não devendo dar ouvidos a outros que soubessem outras coisas?
Sim, é possível.
É possível que todas estas pessoas conheçam em pormenor um passado que nunca houve? É possível que todas as realidades nada sejam para elas; que a sua vida decorra desligada de tudo, como um relógio numa sala vazia?
Sim, é possível.
É possível que nada se saiba das raparigas que, no entanto, vivem? É possível que se diga “as mulheres”, “as crianças”, “os rapazes” e não se faça a mínima ideia (apesar de toda a nossa cultura), de que há muito que estas palavras não têm plural, apenas inúmeros singulares?
Sim, é possível.
É possível que haja gente que diga “Deus” e julgue que se trata de algo comum a todos? E veja-se apenas dois rapazinhos de escola: um compra um canivete, e o seu vizinho compra outro tal qual no mesmo dia. E uma semana depois mostram um ao outro os dois canivetes, e acontece que eles só muito de longe se parecem – tão diferentemente evoluíram em mãos diferentes. (Ora, diz a mãe de um deles a esse respeito: vocês têm sempre por força de desgastar logo tudo!). Ah pois: é possível acreditar que se possa ter um Deus sem recorrer a Ele?
Sim, é possível.
Porém, se tudo isto é possível, se tem mesmo só uma aparência de possibilidade – então, por tudo o que há no mundo, é preciso que aconteça alguma coisa. O primeiro indivíduo, o que teve estes pensamentos inquietantes, deve começar a fazer alguma coisa do que se perdeu; mesmo que seja um qualquer, certamente o menos indicado: mais nenhum há que o possa fazer. Este jovem estrangeiro sem importância, Brigge, terá de se sentar no quinto piso e escrever dia e noite: sim, ele terá de escrever, esse será o fim.»
- Rainer Maria Rilke, ‘As anotações de Malte Laurids Brigge’ (tradução Relógio D’Água)
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
475
em casa,
escolho
entre o abafado do quarto
acabado de dormir
e o monóxido de carbono,
da janela
deixada
aberta.
no autocarro,
tenho
o enjôo
dos lugares altos
lá atrás
ou a náusea
das velhas
mijadas
ou excessivamente
perfumadas
dos assentos
vermelhos.
no trabalho,
no 'local de trabalho',
posso
entrar
na conversa
burgessa
da gaja
do jogador
do telemóvel
mas
prefiro
deixar
falar os mortos
pelo
meu
silêncio
sepulcral.
em casa,
escolho
entre o abafado do quarto
acabado de dormir
e o monóxido de carbono,
da janela
deixada
aberta.
no autocarro,
tenho
o enjôo
dos lugares altos
lá atrás
ou a náusea
das velhas
mijadas
ou excessivamente
perfumadas
dos assentos
vermelhos.
no trabalho,
no 'local de trabalho',
posso
entrar
na conversa
burgessa
da gaja
do jogador
do telemóvel
mas
prefiro
deixar
falar os mortos
pelo
meu
silêncio
sepulcral.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
468
Sair de casa de manhã.
Passar a porta da rua para apanhar o autocarro. Olhar para o fundo da rua e reparar que grades alinhadas vedam a rua a carros e pessoas.
Ruas fechadas, sirenes, PSP, GNR, militares.
De autocarros, nada. 'Não há por causa da chanceler'.
Mais policia. Centenas a marchar apressadamente como se fossem exército. São as forças da ordem.
Contorna-se as grades para atravessar a rua.
- Não pode passar! - diz um agente da autoridade.
- Como assim?! Não me diga que me vai prender se passar!? - resposta
- São ordens! Não pode passar! - insiste o agente impetuosamente
- Então olhe, prendam-me por estar a sair da rua onde moro; para ir apanhar um táxi; para ir trabalhar!
Decide e arrisca. Ainda sentiu o estremecer da raiva do polícia, mas passou.
Começa a subir.
Sobe a calçada à procura de um táxi.
Policia de 2 em 2 metros. Armada até aos dentes.
A meio da subida, pela janela de um rés do chão, um velhote de olhar pensativo e admirado espreita a rua.
Disse que estava a tentar perceber se agora, horas depois de se ter levantado, a polícia já o deixava sair de casa.
Tão estranho para ele quanto para mim vivermos num regime em que os governantes só se considerarem em segurança quanto mais longe estiverem de quem representam.
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a porca,
falsa democracia,
governantes,
merkel raus,
sem sentido
sábado, 27 de outubro de 2012
terça-feira, 23 de outubro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
462
uma pena de morte.
permita-me que o trate por tu:
leste muito
e escreves tão bem.
também traduzes
exemplarmente
doutras línguas
- oh, a Divina Comédia!
tanta cultura e saber
que até chateia.
mas
defendes a pena de morte
com argumentos e
muito blá, blá, blá, pois claro.
então,
afinal de que serve tanta erudição para formar uma opinião tão básica,
Vasco Graça Moura?
uma pena de morte.
permita-me que o trate por tu:
leste muito
e escreves tão bem.
também traduzes
exemplarmente
doutras línguas
- oh, a Divina Comédia!
tanta cultura e saber
que até chateia.
mas
defendes a pena de morte
com argumentos e
muito blá, blá, blá, pois claro.
então,
afinal de que serve tanta erudição para formar uma opinião tão básica,
Vasco Graça Moura?
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
438
uma mulher foi violada.
o violador confesso foi julgado e absolvido.
na sentença o juiz recomenda que a mulher passe a usar roupas mais sóbrias.
é justo.
uma mulher foi violada.
o violador confesso foi julgado e absolvido.
na sentença o juiz recomenda que a mulher passe a usar roupas mais sóbrias.
é justo.
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justiça,
mulheres que estão mesmo a pedi-las
terça-feira, 28 de agosto de 2012
437
das 22h00 às 03h00:
primeiro a reportagem 'Hamburgo' sobre uma comunidade de hippies que vive há anos isolada no Alentejo, depois o telejornal, em seguida outro documentário chamado 'As ruas da amargura' e para rematar o 'Tempo e o Modo'.
São quase 3 da manhã. Nenhum destes programas passa nas centenas de canais disponíveis no serviço de tv por cabo.
Nada mais insuportável para um liberal.
Pôr as pessoas a pensar, causar-lhes desconforto, sem haver qualquer retorno financeiro, como se a RTP fosse algum 'órgão de comunicação oficial da extrema-esquerda, ou do governo de Chávez'.
Mas é precisamente para isso que serve o serviço público de Televisão.
Corolário:
o governo PSD-CDS quer acabar com a RTP2.
das 22h00 às 03h00:
primeiro a reportagem 'Hamburgo' sobre uma comunidade de hippies que vive há anos isolada no Alentejo, depois o telejornal, em seguida outro documentário chamado 'As ruas da amargura' e para rematar o 'Tempo e o Modo'.
São quase 3 da manhã. Nenhum destes programas passa nas centenas de canais disponíveis no serviço de tv por cabo.
Nada mais insuportável para um liberal.
Pôr as pessoas a pensar, causar-lhes desconforto, sem haver qualquer retorno financeiro, como se a RTP fosse algum 'órgão de comunicação oficial da extrema-esquerda, ou do governo de Chávez'.
Mas é precisamente para isso que serve o serviço público de Televisão.
Corolário:
o governo PSD-CDS quer acabar com a RTP2.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
434
as imperfeições
do socialismo
(cubano?)
comparadas
com o reluzente
BMW topo de gama
a galgar o passeio
onde
o homem
sentado
cabisbaixo
espera que lhe deixem umas moedas
na caixa de cartão onde escreveu
'Tenho Fome'.
as imperfeições
do socialismo
(cubano?)
comparadas
com o reluzente
BMW topo de gama
a galgar o passeio
onde
o homem
sentado
cabisbaixo
espera que lhe deixem umas moedas
na caixa de cartão onde escreveu
'Tenho Fome'.
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