quinta-feira, 13 de junho de 2013

540
entre
o homem
e o gato
uma guerra
de ronrons.
539
só o amor
(à música)
salva.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

538
a direita mata.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

537
sem um grupo de esquerda revolucionária, com os movimentos sociais a reclamarem eleições, com o RDA a promover quartos-escuros e jogos de pingue-pongue com o alto-patrocínio da Junta de Freguesia dos Anjos, com os anarquistas da velha-guarda conformados com a vida burguesa das cidades, com os grupos de transição a isolarem-se em pequenas comunidades atrás dos montes, sobram os valores da carestia e da espiritualidade veiculados pela - única? - organização efectivamente anti-capitalista nos tempos que correm: a igreja católica.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

536
sobredoses de
dúvida cartesiana
e de
teoria da relatividade
foderam
esta merda toda.

domingo, 2 de junho de 2013

535
de repente,
somos todos
marxistas
outra vez.
534
naqueles tempos
em vez de filhos
tinham gatos.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

533
para o português que saiba o mínimo de inglês
Shakespeare será sempre o Abana a Fruta.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

532
por aqueles tempos
considerava o sentido de humor
mais uma perda de tempo
do que, como diziam por aí,
uma manifestação de inteligência.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

531
enjoas a ler um livro,
mas viajas
grudado ao telefone-esperto.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

530
o cassetete
é um quebra-cabeças.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

529
deixas o Bach
ligado.
pode ser que afaste
os gatos.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

528
o acorde de Tristão.
527
como
a manga
que se molha
sem dares conta
enquanto
escovas
os dentes.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

526
juro
pela nossa senhora de brotas
que não preciso de brocas.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

525
a
maçã
fuji
a
caminhar
paulatinamente
para
a
maçã
gala.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

524 e meio
marmita, país da.
524
não dá para almoçar no restaurante?
comes no fast-food.

não dá para o fast-food?
comes no refeitório.

não dá no refeitório?
levas a marmita.

quando não der para a marmita,
venha o papo-seco com margarina.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

523
a democracia gerou circuitos para cada um ter os seus quinze minutos de fama.

terça-feira, 30 de abril de 2013

522
metade
da beleza
é eza
de
tristeza.
521
evita
o lugar-comum
e a frase-feita.
'Es gibt ein Bild von Klee, das Angelus Novus heißt. Ein Engel ist darauf dargestellt, der aussieht, als wäre er im Begriff, sich von etwas zu entfernen, worauf er starrt. Seine Augen sind aufgerissen, sein Mund steht offen und seine Flügel sind ausgespannt. Der Engel der Geschichte muß so aussehen. Er hat das Antlitz der Vergangenheit zugewendet. Wo eine Kette von Begebenheiten vor uns erscheint, da sieht er eine einzige Katastrophe, die unablässig Trümmer auf Trümmer häuft und sie ihm vor die Füße schleudert. Er möchte wohl verweilen, die Toten wecken und das Zerschlagene zusammenfügen. Aber ein Sturm weht vom Paradiese her, der sich in seinen Flügeln verfangen hat und so stark ist, daß der Engel sie nicht mehr schließen kann. Dieser Sturm treibt ihn unaufhaltsam in die Zukunft, der er den Rücken kehrt, während der Trümmerhaufen vor ihm zum Himmel wächst. Das, was wir den Fortschritt nennen, ist dieser Sturm.'
Walter Benjamin in Über den Begriff der Geschichte (1940), These IX
520
és o génio
da banalidade:
escreves quatro versos
e já pensas que és poeta.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

519
poêta
da treta
na recta
da teta.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

518
desocultas um acorde
e ficas a tocá-lo horas a fio
como um novo mantra.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

517
uma coisa que fazemos bem:
falar mal uns dos outros.

terça-feira, 16 de abril de 2013

'One of the biggest fallacies, i think, in art circles and in music circles maybe, when people talk about it, is that music comes from music. Is like saying babies come from babies. That it's not true, isn't what happens. Music is a result of a process for musicians going through, specially if he's creating it on the spot.'
- Keith Jarrett, The art of improvisation

sexta-feira, 12 de abril de 2013

516
e
eis
que
surge
o
sol.
515
a mtv manda:
calças justas às riscas brancas e pretas.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

514
vamos desistindo de ver as notícias
e já só pensamos em emigrar.
513
o meu limite
é o papo-sêco.
512
estás a dar cabo da aura.
511
de certeza que a culpa é dos chineses.

terça-feira, 9 de abril de 2013

510
pões todo o sentimento no verso
para nunca chegares ao fim da linha.
até podes deixar cair a métrica, mas
pelo menos não menosprezes a música.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

509
a
polícia
passa
por
ti
a
cento
e
setenta
e
tal.

mas
não
vai
em 
marcha
de
urgência.

vai
a
dar
o
exemplo.
508
às vezes expomos uma.
outras vezes,
ligamos para aí
umas
duas,
se estivermos inspirados.


temos
cada vez mais dificuldade
em articular
ideias
com
ideias.

olha aqui o exemplo.

quinta-feira, 28 de março de 2013

507
é páscoa,
vamos para
a terra.
506
a empobrecer
a galope.
505
'- isso é uma moda passageira.' - dize T.

quarta-feira, 27 de março de 2013

504
Internet, sorvedouro da aura e da beleza.
'Acontece que a primeira [a Internet] é um bazar que achata, que nivela tudo o que contém.
Um plano de Há lodo no cais, de Elia Kazan vale tanto como o clip mais ignaro e os diálogos de Chronique d'un Ête, de Jean Rouch e Edgar Morin convivem com as piadas do novo humorista revelado on-line.
Concretização dos piores pesadelos de Theodor Adorno, a internet esconde uma máquina larvar, um burburinho incessante que só aqueles com a devida competência técnica conseguem calar...'
- José Marmeleira @ Ipsilon - 22Março2013

sábado, 23 de março de 2013

503
nunca as pessoas tiveram à sua disposição
tantos meios de comunicação.
nunca as pessoas comunicaram tanto.
nunca as pessoas estiveram tão sozinhas.
502
a
internet
está
cheia
de
merda.

quinta-feira, 21 de março de 2013

501
sempre sem tocar
- que o toque,
ai o toque é que não pode ser -
adoramos fazer tangentes
uns aos outros.

quarta-feira, 20 de março de 2013

500
a vizinha de cima
é melhor que a minha.

sexta-feira, 15 de março de 2013

499
confundiam liberdade
com descomprometimento.

quinta-feira, 7 de março de 2013

497

sr. barbeiro,
quero que me corte o cabelo mas não quero o cabelo cortado.
«Um dos meus lados é o da vontade de ter uma arma automática e limpar o sarampo a gente que visivelmente anda a pedi-las; o outro lado é o da adesão àquela frase do Gandhi que diz que 'não há nenhuma causa pela qual esteja disposto a matar, embora haja causas pelas quais estou disposto a morrer'. Se as pessoas conseguem abafar a sua fúria é certamente por causa do medo. O terror é-lhes imposto e deixa-as incapazes de reagir. Mas isto indigna-me porque houve quem tivesse reagido em condições muito piores. Sinto uma fúria enorme contra esta gente que nos governa e nos governou, considero-os piores do que os salazaristas. As pessoas vivem no engano o tempo todo: porque têm direito a voto e os jornais podem criticar o poder político, julgam que isso lhes dá algum poder soberano. O único poder que têm é o de irem colocar um voto na urna de quatro em quatro anos para fazerem uma escolha num horizonte completamente limitado. A maneira suave com que age esta forma de ditadura é repugnante. É preferível a clareza da repressão a esta maneira de nos tirarem a alma, a honra, de fazerem de nós uns farrapos.»
- Paulo Varela Gomes, Público, 1 Março 2013
496
experimentem
tirar-lhes
os carros
e
a bola.
495
com o cabelo comprido:
- quando é que cortas esse cabelo à Marco Paulo?

com o cabelo acabado de cortar:
- então pá, mas o que é que foste fazer aos caracóis?
494
muitas vezes
os rapazes
pensam que
as raparigas
pensam como
os rapazes.

terça-feira, 5 de março de 2013

493
por entre os ventos cruzados,
eleva-se rápido o falcão.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

492
os pobres fogem aos impostos,
os ricos têm esquecimentos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

491
um
chinês
vinha
a pedalar
desde
a China.

pedalou,
pedalou,
pedalou,
pedalou.

eh pá,
até pelo
Tibete
andou!

às tantas,
acabou por chegar a Portugal.

encostou a bina
ali para os lados de Sines
para tirar uma fotografia.

quando se voltou
a bina já lá não estava.

gamaram a bina ao chinês.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

490
a sua referência eram os sem-abrigo...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

489

Vasco Graça Moura traduz Rainer Maria Rilke.
em bicos de pés?
é que pela capa mais parece que foi Rilke a traduzir Moura.

488
apresentas o power point
à plateia dos teus colegas.

imaginas que estás no ted talks.

tens de ter piada.
esforças-te no stand-up,
como viste na net e na tv.

podias ter sido humorista,
se quisesses, claro.

mas não:
és
apenas
mais
um
analista
informático.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

487
não corras.
e nunca verás o trambolhão que darias.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

486
diria a minha avó:
andam a fazer pouco de nós.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

485
de ano para ano, receber cada vez menos.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

484
uma viagem
de autocarro.
esperança
suspensa.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

483
vais corrigindo
alguns
pontos-de-vista.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

482
hai
ku.
481
estamos todos mal,
então está tudo bem.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

480
a pretensão à novidade
de todas as modernidades.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

479
os fiscais entram.
e o autocarro,
que até aí seguia aos trambolhões de rua em rua,
abranda o mais possível até à próxima paragem:
'assim dá tempo para os apanhar!'
um passageiro mostra orgulhosamente
o seu título de transporte
va-li-da-do.
os infractores são apanhados
para gáudio dos cumpridores.
faz-se justiça na calçada.
Hitler vive nos nossos corações.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

478
enquanto nós nos fodemos para eles
eles vão-nos fodendo a nós.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

477
o over-acting da Joana Carneiro a dirigir.
476
o Rilke é que sabe.
«É ridículo. Aqui estou sentado no meu pequeno quarto, eu, Brigge, com vinte e oito anos já feitos e que todos ignoram. Aqui estou sentado e não sou nada. E, no entanto, este nada começa a pensar e pensa, num quinto andar, durante uma tarde parisiense cinzenta, estes pensamentos:
É possível, pensa, que não se tenha visto, conhecido e dito nada de real ou importante? É possível que se tenha tido milénios para olhar, reflectir e anotar e que se tenha deixado passar os milénios como um intervalo na escola, durante o qual se come fatias de pão com manteiga e uma maçã?
Sim, é possível.
É possível que, apesar de todas as invenções e dos progressos, apesar da cultura, da religião e da filosofia, se tenha ficado na superfície da vida? É possível que até se tenha coberto esta superfície – que, apesar de tudo, seria qualquer coisa – com um pano incrivelmente aborrecido, de tal modo que se assemelhe aos móveis de sala durante as férias de Verão?
Sim, é possível.
É possível que toda a História Universal tenha sido mal entendida? É possível que o passado seja falso, precisamente porque sempre se falou das suas multidões, como se se dissertasse sobre uma aglomeração de pessoas, em vez de se falar de uma única, em torno da qual os homens se reuniam, porque se tratava de um desconhecido que morreu?
Sim, é possível.
É possível que se tenha julgado ser preciso recuperar o que aconteceu antes de se ter nascido? É possível que se tivesse de lembrar a cada um que ele, de facto, é proveniente de todos os antecessores, tendo ele disso conhecimento e não devendo dar ouvidos a outros que soubessem outras coisas?
Sim, é possível.
É possível que todas estas pessoas conheçam em pormenor um passado que nunca houve? É possível que todas as realidades nada sejam para elas; que a sua vida decorra desligada de tudo, como um relógio numa sala vazia?
Sim, é possível.
É possível que nada se saiba das raparigas que, no entanto, vivem? É possível que se diga “as mulheres”, “as crianças”, “os rapazes” e não se faça a mínima ideia (apesar de toda a nossa cultura), de que há muito que estas palavras não têm plural, apenas inúmeros singulares?
Sim, é possível.
É possível que haja gente que diga “Deus” e julgue que se trata de algo comum a todos? E veja-se apenas dois rapazinhos de escola: um compra um canivete, e o seu vizinho compra outro tal qual no mesmo dia. E uma semana depois mostram um ao outro os dois canivetes, e acontece que eles só muito de longe se parecem – tão diferentemente evoluíram em mãos diferentes. (Ora, diz a mãe de um deles a esse respeito: vocês têm sempre por força de desgastar logo tudo!). Ah pois: é possível acreditar que se possa ter um Deus sem recorrer a Ele?
Sim, é possível.
Porém, se tudo isto é possível, se tem mesmo só uma aparência de possibilidade – então, por tudo o que há no mundo, é preciso que aconteça alguma coisa. O primeiro indivíduo, o que teve estes pensamentos inquietantes, deve começar a fazer alguma coisa do que se perdeu; mesmo que seja um qualquer, certamente o menos indicado: mais nenhum há que o possa fazer. Este jovem estrangeiro sem importância, Brigge, terá de se sentar no quinto piso e escrever dia e noite: sim, ele terá de escrever, esse será o fim.»
- Rainer Maria Rilke, ‘As anotações de Malte Laurids Brigge’ (tradução Relógio D’Água)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

475

em casa,
escolho
entre o abafado do quarto
acabado de dormir
e o monóxido de carbono,
da janela
deixada
aberta.

no autocarro,
tenho
o enjôo
dos lugares altos
lá atrás
ou a náusea
das velhas
mijadas
ou excessivamente
perfumadas
dos assentos
vermelhos.

no trabalho,
no 'local de trabalho',
posso
entrar
na conversa
burgessa

da gaja
do jogador
do telemóvel

mas
prefiro
deixar
falar os mortos

pelo
meu
silêncio
sepulcral.
474
prova simultânea
da existência e inexistência
de Deus.

473
já alguém o escreveu melhor do que tu.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

472
               ma
            ci
          a 
     ra
  dei
la

alguém
empurra
alguém

la
   dei
       ra
            a
              bai
                  xo

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

471
com a verdade tu és o solitário.

Sem a verdade tu és o perdedor.
[cortesia involuntária de http://tonibler.blogspot.pt/2006_04_01_archive.html]
  

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

470
'- pobre anda sempre de sacolinha.' - dize C.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

469
os seus colegas de trabalho passavam o dia a discutir
telemóveis.

terça-feira, 13 de novembro de 2012


468
Sair de casa de manhã.
Passar a porta da rua para apanhar o autocarro. Olhar para o fundo da rua e reparar que grades alinhadas vedam a rua a carros e pessoas.
Ruas fechadas, sirenes, PSP, GNR, militares.
De autocarros, nada. 'Não há por causa da chanceler'.
Mais policia. Centenas a marchar apressadamente como se fossem exército. São as forças da ordem.
Contorna-se as grades para atravessar a rua.
- Não pode passar! - diz um agente da autoridade.
- Como assim?! Não me diga que me vai prender se passar!? - resposta
- São ordens! Não pode passar! - insiste o agente impetuosamente
- Então olhe, prendam-me por estar a sair da rua onde moro; para ir apanhar um táxi; para ir trabalhar!
Decide e arrisca. Ainda sentiu o estremecer da raiva do polícia, mas passou.
Começa a subir.
Sobe a calçada à procura de um táxi.
Policia de 2 em 2 metros. Armada até aos dentes.
A meio da subida, pela janela de um rés do chão, um velhote de olhar pensativo e admirado espreita a rua.
Disse que estava a tentar perceber se agora, horas depois de se ter levantado, a polícia já o deixava sair de casa.
Tão estranho para ele quanto para mim vivermos num regime em que os governantes só se considerarem em segurança quanto mais longe estiverem de quem representam.

sábado, 27 de outubro de 2012

467
'um
pescador ficou ferido numa
perna ao ser atingido por uma
pedra de uma
arriba.'
noticia a SIC-Notícias

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

466
'- ainda se ouvem os miados dos anos 80.' - diz C.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

465
se ele lhe interessa,
ela ajeita o cabelo.
464
vitela
porco
vaca
borrego

- podia
ler-se
no
letreiro.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

463
Ser impossivel comer mais do que dois pastéis de nata em jejum.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

462
uma pena de morte.
permita-me que o trate por tu:
leste muito
e escreves tão bem.
também traduzes
exemplarmente
doutras línguas
- oh, a Divina Comédia!
tanta cultura e saber
que até chateia.
mas
defendes a pena de morte
com argumentos e
muito blá, blá, blá, pois claro.
então,
afinal de que serve tanta erudição para formar uma opinião tão básica,
Vasco Graça Moura?
461
gato.
460
o som
e o
sentido.
459
'a bondade está acima da poesia.'
Manuel António Pina
458
pobre, triste e feio.
457
escrever
despojadamente
e
matar
o
eu
pelo
caminho.
455
todos
os poetas
e escritores
sempre
ainda
a caminho.
456 e meio
porque sabemos o segredo.
456
a nossa condição é insustentável.
454
'A dor dói o boi muge.'
– Manuel António Pina

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

453
'os políticos são todos iguais!'
dize o engenheiro
ou o taberneiro.
452
antes, durante e depois: em política temos sempre razão.
451
o nosso Zappa.

450

aspas, vespas.

as
pás.
vês,
pá?

as
'aspas',
tão
chatas
como
vespas.
449 e meio
o europeu moderno
venera a desconstrução.
449
aprendemos a destruir
mesmo antes de saber
como se constrói.
448
dás com a adolescente do outro lado
a olhar com nojo para as tuas rugas.
acredita que terá aquele corpinho e
carinha laroca para sempre.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

447
eliminar as aspas quando escrevemos coisas com "segundos significados".