seiscentos e cinquenta e um
Identidade
com
pin
e
puk.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
quinta-feira, 23 de abril de 2015
terça-feira, 31 de março de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
segunda-feira, 23 de março de 2015
seiscentos e quarenta e sete
ia eu pelo metro
atrasado para o trabalho
a ver a merda do facebook
como toda a gente,
quando a arrancar
do Martim Moniz,
irrompe
dentre-as-portas
que se fechavam,
uma
pasta
preta
zipada,
qual espada
trespassando
entre-vertebras
o dragão.
a espada ali fica
cravada,
entalada,
o monstro
contorce-se
e hesita,
solta um triplo apito
e indiferente
arranca.
vejo então a cara
do cavaleiro
destroçada,
não era o óbvio
Jorge São
mas o familiar Alexandre
(nem sequer esse,
magno para cá
e vilão para lá
da Macedónia)
apenas o tão familiar
Alexandre
que heroicamente
sobre o monstro
se lançara
talvez para me vir
dizer 'olá'.
a mim
que nem sequer
o rabo do assento
levantara.
ia eu pelo metro
atrasado para o trabalho
a ver a merda do facebook
como toda a gente,
quando a arrancar
do Martim Moniz,
irrompe
dentre-as-portas
que se fechavam,
uma
pasta
preta
zipada,
qual espada
trespassando
entre-vertebras
o dragão.
a espada ali fica
cravada,
entalada,
o monstro
contorce-se
e hesita,
solta um triplo apito
e indiferente
arranca.
vejo então a cara
do cavaleiro
destroçada,
não era o óbvio
Jorge São
mas o familiar Alexandre
(nem sequer esse,
magno para cá
e vilão para lá
da Macedónia)
apenas o tão familiar
Alexandre
que heroicamente
sobre o monstro
se lançara
talvez para me vir
dizer 'olá'.
a mim
que nem sequer
o rabo do assento
levantara.
terça-feira, 17 de março de 2015
seiscentos e quarenta e seis
começas por procurar o livro
na biblioteca nacional.
e a biblioteca nacional tem o livro.
ena!
só que
a biblioteca nacional
costumava ser pública,
agora a inscrição custa o mesmo
do que comprar o próprio livro.
então ligas para a biblioteca
do bairro a perguntar.
e a biblioteca do bairro tem o livro.
ena, nada mau!
'- só que está noutra biblioteca'.
está bem, não há problema.
vais à outra biblioteca
buscar o livro.
só que
a outra biblioteca está fechada,
'- abre durante 2016'.
estávamos em Março de 2015.
'- precisava do livro para agora, era?'
começas por procurar o livro
na biblioteca nacional.
e a biblioteca nacional tem o livro.
ena!
só que
a biblioteca nacional
costumava ser pública,
agora a inscrição custa o mesmo
do que comprar o próprio livro.
então ligas para a biblioteca
do bairro a perguntar.
e a biblioteca do bairro tem o livro.
ena, nada mau!
'- só que está noutra biblioteca'.
está bem, não há problema.
vais à outra biblioteca
buscar o livro.
só que
a outra biblioteca está fechada,
'- abre durante 2016'.
estávamos em Março de 2015.
'- precisava do livro para agora, era?'
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Brumo Gomas
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DAESH,
escritos corsários,
só que
quarta-feira, 11 de março de 2015
terça-feira, 3 de março de 2015
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
terça-feira, 2 de setembro de 2014
seiscentos e trinta e quatro
na banca
ranhosa
viram
os jornais
ao contrário
por causa
dos
leitores
que abusam.
na banca
ranhosa
viram
os jornais
ao contrário
por causa
dos
leitores
que abusam.
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Brumo Gomas
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leitores-abusadores
terça-feira, 26 de agosto de 2014
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
seiscentos e vinte e oito
ao balcão da hamburgaria
o assistente leva na cabeça da supervisora
que o obriga a pedir desculpa ao colega
que sem querer enganou.
- pede desculpa ao teu colega.
- pede desculpa ao teu colega.
- pede desculpa ao teu colega.
é só coisas prontas a apitar por todo o lado.
nas mesas,
os fregueses comem os hambúrgueres
entre dois telemóveis,
o das chamadas e das mensagens na orelha,
e o da internet na mão.
os que não falam ao telefone,
conversam entre eles
das pequenas traficâncias dos seus rivais,
como o quarto que a vizinha de cima aluga
por não sei quanto
a estrangeiros
nas férias.
julgo manter a distância ao escrever,
mas a umas mesas,
atrás de um biguemaque,
um rapaz posta o seguinte no tablete
'está um gajo à minha frente tão armado em intelectual,
que em vez de comer está a escrever numa agenda.'
saio com a boqueira no canto da boca.
ao balcão da hamburgaria
o assistente leva na cabeça da supervisora
que o obriga a pedir desculpa ao colega
que sem querer enganou.
- pede desculpa ao teu colega.
- pede desculpa ao teu colega.
- pede desculpa ao teu colega.
é só coisas prontas a apitar por todo o lado.
nas mesas,
os fregueses comem os hambúrgueres
entre dois telemóveis,
o das chamadas e das mensagens na orelha,
e o da internet na mão.
os que não falam ao telefone,
conversam entre eles
das pequenas traficâncias dos seus rivais,
como o quarto que a vizinha de cima aluga
por não sei quanto
a estrangeiros
nas férias.
julgo manter a distância ao escrever,
mas a umas mesas,
atrás de um biguemaque,
um rapaz posta o seguinte no tablete
'está um gajo à minha frente tão armado em intelectual,
que em vez de comer está a escrever numa agenda.'
saio com a boqueira no canto da boca.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
quarta-feira, 16 de julho de 2014
terça-feira, 15 de julho de 2014
domingo, 13 de julho de 2014
quarta-feira, 9 de julho de 2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
quarta-feira, 2 de julho de 2014
quinta-feira, 26 de junho de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
seiscentos e treze
(urbanita deslumbrante)
a unha de gel
da mesma côr
na mão e no pé.
o swatch dourado,
as alças da mala
pelo cotovelo
de ginásio.
a californiana no cabelo
e abaixo da testa
a trombinha bronzeada
que é só má-educação.
certamente
pela sele_ção
e pelos animais!
contra os radicalismos,
uma abstencionista convicta!
(contém o vómito)
(urbanita deslumbrante)
a unha de gel
da mesma côr
na mão e no pé.
o swatch dourado,
as alças da mala
pelo cotovelo
de ginásio.
a californiana no cabelo
e abaixo da testa
a trombinha bronzeada
que é só má-educação.
certamente
pela sele_ção
e pelos animais!
contra os radicalismos,
uma abstencionista convicta!
(contém o vómito)
quarta-feira, 11 de junho de 2014
domingo, 8 de junho de 2014
quinta-feira, 29 de maio de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
seiscentos e oito
era uma vez um rapaz que nadava para manter a forma.
nadava, nadava muito,
para ficar em muito boa forma.
nadava sempre mais do que alguém que entrasse na piscina para nadar.
e estava cada vez mais forte e musculado,
sempre e cada vez mais em forma.
um dia,
depois de ter acabado de bater os registos pessoais
de distância percorrida e rapidez
- os anos que foram precisos para aqui chegar, pensou -
sentiu que a sua respiração estava diferente.
encostou-se num dos lados da pista 6
- que irritante aquela gente toda a nadar a ritmos tão diferentes e nessa pista só se conseguir nadar bruços numa das direcções por causa da parede -
ainda teve tempo de tirar a touca e os óculos
e de imaginar o que estavam a fazer
aqueles que amava.
morreu em excelente forma.
era uma vez um rapaz que nadava para manter a forma.
nadava, nadava muito,
para ficar em muito boa forma.
nadava sempre mais do que alguém que entrasse na piscina para nadar.
e estava cada vez mais forte e musculado,
sempre e cada vez mais em forma.
um dia,
depois de ter acabado de bater os registos pessoais
de distância percorrida e rapidez
- os anos que foram precisos para aqui chegar, pensou -
sentiu que a sua respiração estava diferente.
encostou-se num dos lados da pista 6
- que irritante aquela gente toda a nadar a ritmos tão diferentes e nessa pista só se conseguir nadar bruços numa das direcções por causa da parede -
ainda teve tempo de tirar a touca e os óculos
e de imaginar o que estavam a fazer
aqueles que amava.
morreu em excelente forma.
terça-feira, 6 de maio de 2014
segunda-feira, 5 de maio de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
domingo, 26 de janeiro de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
593
acordas com a seguinte hipótese na cabeça:
os chimpazés são tão mais inteligentes do que nós, que boicotam todos os testes de inteligência que lhes passamos a vida a fazer. transmitem este conhecimento de geração em geração só para não passarem a ter de aturar os humanos com as suas dúvidas estúpidas.
talvez um chimpanzé tenha tido certa vez um pesadelo em que os homens descobriam a inteligência dos primatas...
acordas com a seguinte hipótese na cabeça:
os chimpazés são tão mais inteligentes do que nós, que boicotam todos os testes de inteligência que lhes passamos a vida a fazer. transmitem este conhecimento de geração em geração só para não passarem a ter de aturar os humanos com as suas dúvidas estúpidas.
talvez um chimpanzé tenha tido certa vez um pesadelo em que os homens descobriam a inteligência dos primatas...
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
592
num parque
de estacionamento
subterrâneo
nos bancos da frente
de um carro
duas pessoas
estão imóveis
e em silêncio.
olham para
a parede branca
vazia
em frente.
talvez estejam
de olhos fechados,
não se percebe bem.
eis que chega o segurança,
desconfiado:
nada há de mais suspeito
para quem está no mundo
do que duas pessoas juntas
a fazer rigorosamente nada.
num parque
de estacionamento
subterrâneo
nos bancos da frente
de um carro
duas pessoas
estão imóveis
e em silêncio.
olham para
a parede branca
vazia
em frente.
talvez estejam
de olhos fechados,
não se percebe bem.
eis que chega o segurança,
desconfiado:
nada há de mais suspeito
para quem está no mundo
do que duas pessoas juntas
a fazer rigorosamente nada.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
sábado, 4 de janeiro de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
domingo, 20 de outubro de 2013
sábado, 19 de outubro de 2013
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
570 e meio
tudo o que fosse feito
lentamente
chegava
atrasado.
por isso já
não prestava.
tudo
o que era bom
é porque era rápido.
só o amor
precisava de só
ser bom.
com 'orgasmos múltiplos, se fazes favor.'
tinhas de escrever
bem
e
depressa,
de ser
contundente
e de
todos os dias
manter a obra
actualizada,
senão eras
'ultrapassado pelos
acontecimentos'.
os velhos,
de andarilhos
eram lentos
e ficavam
para trás.
falavam
arrastado
para dentro,
nos seus lares,
para outros velhos
como eles imaginados.
havia
muito
'desejo de
futuro'.
havia.
só que
ninguém
sabia bem
para onde
tão
apressadamente
seguia.
tudo o que fosse feito
lentamente
chegava
atrasado.
por isso já
não prestava.
tudo
o que era bom
é porque era rápido.
só o amor
precisava de só
ser bom.
com 'orgasmos múltiplos, se fazes favor.'
tinhas de escrever
bem
e
depressa,
de ser
contundente
e de
todos os dias
manter a obra
actualizada,
senão eras
'ultrapassado pelos
acontecimentos'.
os velhos,
de andarilhos
eram lentos
e ficavam
para trás.
falavam
arrastado
para dentro,
nos seus lares,
para outros velhos
como eles imaginados.
havia
muito
'desejo de
futuro'.
havia.
só que
ninguém
sabia bem
para onde
tão
apressadamente
seguia.
sábado, 12 de outubro de 2013
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
563 e meio
os especialistas garantiam que ler fazia bem;
mesmo que se tratasse de merda bem encapada que nos serviam nas livrarias, ou nem isso livrarias;
convinha termos opinião sobre as obras, sobre as que líamos e as que não líamos, e por que é que as não líamos sem nunca as ter lido;
líamos em várias línguas, livros uns a seguir aos outros. éramos saudáveis no ler como no ginásio, aquilo era uma indústria e nunca se editara tanto: no mínimo era lançado um livro novo por dia.
havia quem fosse famoso e vendido sem nunca ser lido por ninguém, muito menos por gente séria;
tal como ninguém votara em cavaco silva apesar de ele ser Presidente da República.
os outros tinham mais do que fazer do que ler.
ler ou não ler lendo.
os especialistas garantiam que ler fazia bem;
mesmo que se tratasse de merda bem encapada que nos serviam nas livrarias, ou nem isso livrarias;
convinha termos opinião sobre as obras, sobre as que líamos e as que não líamos, e por que é que as não líamos sem nunca as ter lido;
líamos em várias línguas, livros uns a seguir aos outros. éramos saudáveis no ler como no ginásio, aquilo era uma indústria e nunca se editara tanto: no mínimo era lançado um livro novo por dia.
havia quem fosse famoso e vendido sem nunca ser lido por ninguém, muito menos por gente séria;
tal como ninguém votara em cavaco silva apesar de ele ser Presidente da República.
os outros tinham mais do que fazer do que ler.
ler ou não ler lendo.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
sábado, 31 de agosto de 2013
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